Pesquisadores da UFRN melhoram produto da NASA para mapear risco de enchentes no Rio Piranhas-Açu

O Laboratório de Geoprocessamento (Geopro) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) possui uma Rede de Monitoramento Geodésico equipado com análises de satélite e dados altimétricos, para desenvolver trabalhos de pesquisa, por meio do uso de Geotecnologias de Modelagem Costeira e criar métodos aplicáveis para o desenvolvimento social e urbano.
O trabalho mais recente do Geopro é sobre Modelos Digitais de Elevação (MDEs), tendo como campo de estudo a Bacia Hidrográfica Piranhas- Açu, no Rio Grande do Norte. O rio é um dos afluentes que receberá a transposição do Rio São Francisco.
Os pesquisadores propuseram a calibração e o melhoramento de dois MDEs. O primeiro é o Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM), desenvolvido pela NASA. O segundo é o Light Detection And Ranging (LiDAR), sensores aerotransportados, desenvolvido pela Petrobras.
 Os métodos foram aplicados para o mapeamento de risco de inundações na região da bacia do Rio Piranhas-Açu.
De acordo com o autor principal da pesquisa, o geólogo e estudante de doutorado da UFRN, Paulo Victor Nascimento, a missão do grupo foi trabalhar com os modelos públicos e gratuitos e aplicar em estudos sobre inundações, fazendo recalibragem e avaliações dos modelos de referência. Para realizar a análise dos métodos, foi preciso identificar a acurácia vertical, um dado altimétrico de representação próxima da realidade.
No estudo, os pesquisadores identificaram uma baixa acurácia vertical do SRTM para pequenas inundações. Com a recalibragem do método da Nasa, foi possível uma melhoria de até 30% na acurácia vertical, deixando-a duas vezes maior e mais próxima do real.
“O modelo da NASA para pequenas inundações tem restrição. Conseguimos pensar em uma tecnologia para diminuir os erros digitais de elevação. Fizemos uma malha de pontos de controle na terra, que vinculados ao sistema geodésico brasileiro, em que o Brasil tem uma referência geométrica, analisamos os erros iniciais e finais do modelo, e aumentamos a acurácia do produto”, detalha Paulo Nascimento.
Aplicação   O estudo ambiental serve para planejar situações visto a necessidade de referência da altitude de terrenos em cenários de alterações climáticas. Para trabalhar com inundação é importante identificar a altimetria com uso de Modelos Digitais de Elevação do terreno, o que significa o desenho de como foi formado a  representação do real em escala gráfica. Segundo Venerando Amaro, coordenador do Geopro, o rio Piranhas-Açu pode se tornar mais perene com a transposição das águas do rio São Francisco e sofrer um aporte extra com a chuva, que pode avançar para municípios ribeirinhos, como a cidade de Macau, que tem muita vulnerabilidade de sofrer inundação costeira e fluvial do rio Açu. “Quando não se tem a inundação, tem alagamentos. O que se espera é que alguns setores possam ser resguardados da ocupação humana à margem do rio”, afirma.   Amaro afirma que o uso da metodologia pode trazer qualidade à tomada de decisões. “Quando a gente fala em alta acurácia, a gente tem possibilidade de alteração do nível de água em um região de terra. Com os modelos usados se criam os cenários. Os gestores podem tomar medidas, como por exemplo, a criação de barreiras de contenção e não permitir que  alguns lugares possam ser ocupados”, complementa.   De acordo com Alex Alcoforado, membro do Geopro, o modelo de calibração pode também servir para plano de saneamento básico, pois a rede de saneamento tem que estar numa rede de altura ajustada. “Primeiro, a gente consegue fazer um modelo de alta acurácia e de baixo custo para fazer um levantamento. Evitar inundações e realizar estudos ambientais. Várias regiões vão receber o rio São Francisco, alguns autores dizem que mais de 50% dos municípios ribeirinhos não fizeram seus planos diretores. Uma das bases de dados é a altimetria (altitude) destes terrenos. O estudo vem para ajudar nesse caso”, destaca Venerando Amaro sobre os benefícios. artigo do Geopro em parceria com a IFMA, foi publicado em maio pelo Anuário do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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