“Haddad é um iPhone 10 comparado a Dilma”, diz Mario Rosa

Nesta campanha presidencial, um dos argumentos contra Fernando Haddad é de que ele será “uma nova Dilma”. Ou seja, alguém indicado por Lula para ser eleito. Pois é: os adversários podem estar incorrendo no “efeito Pitta”.
A única certeza incontestável desta campanha cheia de incertezas é de que Lula ostentou o maior índice de intenções de voto entre todos os candidatos cogitados. E que, inviabilizada sua pretensão, havia um potencial não claramente quantificado de transferência de sua popularidade para alguém.
Dilma já havia sido beneficiária do toque eleitoral de Midas de Lula. Mas as circunstâncias eram outras: o então presidente se despedia de um governo no auge de sua lua de mel com o eleitor. Seria ele capaz de produzir uma nova Dilma? Pois agora os adversários veem e, tentando criticar, acabam reconhecendo que Haddad pode, sim, ser uma nova Dilma. Pensam em carimbar-lhe a pecha das polêmicas da ex-presidenta, mas talvez estejam apenas (como aconteceu com Pitta) informando ao eleitorado que Haddad é Lula.
Fala-se muito em poste para definir candidatos sem luz própria que surgem por estarem conectados à popularidade de terceiros. Talvez seja o caso de comparar Haddad a um smartphone, um paralelo tão estapafúrdio quanto o do poste, mas que permite ao menos uma pequena diferenciação.
Por essa analogia, Haddad é um iPhone 10, um aparelho muito mais sofisticado, atual e com melhores aplicativos que sua versão anterior. Já redigi aqui uma série de panegíricos sobre os principais candidatos presidenciais. Elogiei Alckmin, Bolsonaro, Lula, Marina e Ciro.
Fiz um resumo da ópera das ofensas e insultos que sofri apenas por cometer a heresia de apontar qualidades em nossos candidatos à presidência da República, numa época em que enxergar virtudes parece estar banido do politicamente correto. Elegante mesmo, admirável mesmo nos círculos sociais e intelectuais, é espinafrar os “poderosos”.
Pois aqui vou eu em mais uma jornada suicida: para um país que já teve uma Dilma Rousseff, Fernando Haddad é quase um presente de Natal. Alguém aí já imaginou Haddad “saudando” a mandioca? Ou Haddad “estocando” vento? Isso para ficar apenas em dois clássicos da oratória dilmista.
Haddad parece ter um raciocínio. E mais: além de tê-lo, parece tê-lo organizado. E não é só essa a diferença em relação à ex-presidenta. Dilma foi transformada artificialmente na “mãe” do PAC – o grande programa de obras lulista – quando na verdade era uma chefe da Casa Civil. Vá lá, uma esforçada assessora de alto nível presidencial. Haddad não. Foi ministro da Educação e pôs o pé no barro. As realizações de sua pasta não são obra de uma transfusão para sua biografia: foram resultado do trabalho da equipe liderada por ele. Seu legado é mais orgânico.
E o ponto que me parece mais importante em relação a Dilma: Haddad já foi eleito antes de disputar uma campanha presidencial. Sim, venceu a eleição para comandar nada mais que a maior cidade do país, São Paulo. Durante quatro anos, conheceu por dentro as agruras e a solidão de ser chefe de um executivo.
Dilma não tinha nada disso quando subiu a rampa do Planalto. E talvez o ponto mais importante e diferencial entre os dois na trajetória de Haddad: ele ganhou a eleição para a maior cidade do país, sim. Mas, acima de tudo, ele sofreu uma acachapante derrota. E perder ensina. Perder dói. Perder tira alguns deslumbramentos e ensina o quanto o poder é passageiro e as amizades em torno dele, superficiais. Por tudo isso, Haddad é um iPhone 10 comparado com Dilma.
Poder360

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