Casal preso por suspeita de hackear Moro movimentou R$ 627 mil em dois meses

Gustavo Henrique Elias Santos movimentou mais de R$ 400 mil, entre abril e 
junho (Foto: Reprodução)
A Justiça Federal de Brasília derrubou, nesta quarta-feira, 24, o sigilo da operação que prendeu, na terça-feira, 23, quatro suspeitos de terem hackeado o telefone do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de mais membros do judiciário brasileiro. Na decisão, consta que a Polícia Federal encontrou movimentações financeiras suspeitas nas contas do casal acusado de praticar o crime.
De acordo com a PF, Gustavo Henrique Elias Santos e a companheira, Suelen Priscila de Oliveira, movimentaram valores incompatíveis com a renda mensal do casal. O suspeito movimentou mais de R$ 400 mil, entre abril e junho, mas no banco consta que ele tem renda de pouco mais de R$ 2,8 mil. Enquanto que Suelen movimentou mais de R$ 200 mil, entre março e maio, tendo renda de R$ 2,1 mil.
Na decisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira afirma que “diante da incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal, faz-se necessário realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais”.
Na decisão, foram bloqueados valores acima de R$ 1 mil dos suspeitos. O Ministério Público pediu bloqueio de R$ 10 mil. O magistrado também ordena que os suspeitos sejam soltos após serem ouvidos, caso não haja motivo pela prorrogação. Todos os suspeitos foram transferidos para a Brasília após a prisão. O casal ainda não foi ouvido após pedido da defesa.
Organização criminosa
Também na decisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira diz enxergar “fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa”. De acordo com ele, a PF apresentou “um histórico de possíveis crimes que os investigados praticaram em conjunto” para “violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”. Também foram presos na operação Walter Delgatti Neto e Danilo Cristiano Marques.
O magistrado defende que as prisões dos investigados são essenciais para a obtenção de provas. “Sendo o caso, provas contra outros [possíveis] membros da organização”. Ele também autorizou a quebra do sigilo das mensagens eletrônicas dos investigados, determinando às empresas Apple, Google, Uol/Bol e Microsoft que forneçam os dados cadastrais, os registros IP de acesso e todos os dados e arquivos em nuvem relativos às contas de e-mail dos suspeitos que tenham sido armazenados nos últimos seis meses. (Com informações Correio Braziliense).

Comentários