Ministro valida acordo para uso de fundo bilionário da Petrobras; parte do dinheiro vai para educação

Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)
Por Rosanne D’Agostino e Mariana Oliveira, G1 e TV Globo — Brasília
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), validou nesta terça-feira, 17, o acordo para utilização do fundo bilionário da Petrobras – de cerca de R$ 2,6 bilhões.
O acordo foi assinado pelo Governo Federal, representantes de Câmara e Senado e da Procuradoria Geral da República (PGR) e enviado para homologação pelo ministro. Moraes validou a seguinte divisão para uso do fundo:
1) R$ 1,601 bilhão para educação, sendo:
R$ 1 bilhão para ações relacionadas à educação infantil;
R$ 250 milhões para o Ministério da Cidadania, para ações relacionadas ao Programa Criança Feliz (desenvolvimento integral da Primeira Infância);
R$ 250 milhões para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, para ações de empreendedorismo e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
R$ 100 milhões para ações socioeducativas em cooperação com os Estados, preferencialmente por intermédio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
2) R$ 1,060 bilhão para Amazônia (prevenção, fiscalização e combate a desmatamentos e incêndios), sendo:
R$ 630 milhões para administração pela União de ações de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e outros institutos;
R$ 430 milhões para execução pelos estados da região amazônica.
Na decisão, o ministro determinou a imediata transferência dos recursos financeiros depositados, devidamente corrigidos, para uma conta única do Tesouro Nacional para que o acordo seja cumprido integralmente.
Com relação ao uso R$ 430 milhões na Amazônia legal, Moraes afirmou que a utilização dos recursos deve observar:
– área territorial do Estado;
– população estimada na data da homologação do acordo;
– o inverso do PIB per capita dos Estados, o número de focos de queimadas;
– a área desmatada total por Estado.
O ministro também concedeu pedido da Caixa para que a instituição desconte a remuneração relativa ao tempo em que permaneceu com a guarda dos valores.
Alexandre de Moraes declarou ainda a nulidade do acordo firmado entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras. O ministro já havia suspenso a eficácia do acordo em março.
“A eventual apropriação, por determinados membros do Ministério Público, da administração e destinação de proveito econômico resultante da atuação do órgão, além de desrespeitar os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa, implicou séria agressão ao perfil constitucional fortalecido da Instituição”, afirmou o ministro.
Regras para uso do dinheiro
O ministro do Supremo validou as regras para uso dos recursos do fundo definidas no acordo. São elas:
– o saldo corrigido será transferido para a conta única do Tesouro Nacional;
– os recursos devem ser convertidos em receita da União, que se comprometerá a fazer com que passem a compor fonte de recursos específica, passível de acompanhamento pelos órgãos de controle;
– foi publicada a portaria “Recursos Oriundos de Leis ou Acordos Anticorrupção” para assegurar transparência e controle quando os valores forem utilizados para financiar as despesas públicas do acordo;
– a União, por meio do Ministério da Economia, se compromete a garantir as condições necessárias para execução total das despesas neste exercício financeiro e nos seguintes, até o completo exaurimento dos valores;
– a realização das despesas será concretizada especialmente por meio da concessão de limite de empenho e de movimentação financeira (“descontingenciamento”) e da abertura de créditos adicionais;
– os valores destinados aos Estados da região amazônica serão divididos mediante critérios a serem definidos pelos ministérios.
Acordo da Petrobras
Para encerrar investigações sobre a empresa nos Estados Unidos, a Petrobras acordou com autoridades norte-americanas o pagamento de US$ 853,2 milhões. Desse valor, US$ 682 milhões devem ser aplicados no Brasil – cerca de R$ 2,6 bilhões.
O valor é fruto de reparação de danos admitidos pela Petrobras, e não da devolução de valores com delações premiadas.
O montante foi depositado em uma conta judicial, mas está bloqueado.
Inicialmente, a força-tarefa da Lava Jato havia feito um acordo com a Petrobras para criar um fundo privado com parte do dinheiro. Mas o ministro do STF, Alexandre de Moraes, suspendeu o ato.

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