Lula continuará atacando Bolsonaro para evitar surgimento de nome de centro para a disputa de 2020


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Apesar do apelo de parte das lideranças do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem rejeitado em conversas com aliados fazer uma inflexão no discurso que adotou desde que deixou a prisão no dia 8 de novembro.
O plano do petista é manter os ataques ao presidente Jair Bolsonaro e investir para consolidar a polarização, numa tentativa de evitar o surgimento de um nome de centro para a disputa de 2022.
Um dia após ser solto, ao discursar no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, Lula relacionou Bolsonaro com as milícias e chegou a dizer que os brasileiros deveriam seguir “o exemplo do povo do Chile”, que tomou as ruas do país em protestos que resultaram em mais de 20 mortes nos últimos meses.

O argumento de Lula é que, desde a eleição presidencial de 1989, o PT ocupa um dos polos da política brasileira. O outro lado é que mudou de Fernando Collor para os tucanos, e agora para Bolsonaro.
Apesar de ter conseguido a liberdade, o ex-presidente segue com os direitos políticos cassados por causa das condenações na Lava-Jato, que o enquadram na Lei da Ficha Limpa. A defesa do petista ainda tentará anular no Supremo Tribunal Federal (STF) as condenações com o argumento de que o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, foi parcial na condução dos processos. No entanto, mesmo que não possa se candidatar em 2022, Lula tem a intenção de ser um cabo eleitoral importante na corrida pelo Palácio do Planalto.
Um dos petistas com mais acesso ao ex-presidente afirma que os que pregam contra a polarização estão, na verdade, tentando viabilizar a construção de uma candidatura de centro para a próxima eleição presidencial. De acordo com esse aliado, o tom de Lula deve ser o que ele apresentou na abertura do congresso do PT, realizado em São Paulo, em novembro. Naquela ocasião, o petista defendeu de forma enfática a polarização com o governo Bolsonaro, mas ressaltou que, nos tempos em que esteve no Planalto, não adotou medidas radicais que ameaçavam a democracia.

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